domingo, 8 de maio de 2016

Quase paralelo 70N (Eskimo mode)

Quem vive no norte canadense tem uma primavera tardia, enquanto Toronto e Montreal celebram a estação das flores pelo no final de março, por aqui estamos felizes quando não neva em maio.
Assim estava eu, bem contente, última semana de abril, ouvindo o canto de um outro pássaro que não raven, uma alegria infantil.


Não, isso não é um corvo, é uma raven*.

Mas, sempre tem algum lugar mais no norte, mostrando que tudo é uma questão de referência. Quando minha gerente me escalou para acompanhar o processo de licenciamento de uma mina de ouro que será construída no território vizinho, eu não contava em ter de passar 6 dias em Cambridge Bay.



Cambridge Bay situa-se no paralelo 69, 9 N, em uma região onde o pergelissolo** é permanente, não há sistema de coleta de esgoto ou distribuição de água potável e a energia elétrica vem de imensos geradores a diesel. Existe agua potável (com gosto horrível) e tratamento de esgoto, a distribuição é feita por caminhões pipa. Só faltava morarem em iglus!


Definitivamente, não moram em iglus.



Não moram em iglus, mas falam Inuktituk!

 ᐃᓄᒃᑎᑐᑦ

Inuktituk escrito em ... Inuktituk.


E vestem-se como esquimós.


Cambridge Bay tem cerca de 1400 habitantes, que dirigem felizes seus skidoos, caçam veados e bodes gigantes selvagens.


Isto é um skidoo, podemos dizer que é um jet ski para andar na neve.



Este é o muskox, bode-gigante selvagem, parece ser bovino, mas nosso biólogo me explicou que ele é ovino (ovibo moskatus).



Também constroem prédios que parecem fora de contexto.


E outros totalmente dentro de contexto, lá no fundo estão construindo a sede do CHARS - Canadian High Arctic Research Station - Centro de pesquisas do alto ártico. 



Na cidade não vendem bebida alcoólica, o cigarro é a droga oficial da cidade, nunca vi tanta gente fumando numa área tão pequena. Mesmo com a ausência do comércio, tem pessoas que dão conta de tornarem-se alcoólatras. As compreendo perfeitamente, foi super difícil estar neste lugar sem uma taça de vinho.



Além disso, existem dois alarmes sonoros, um ao meio dia e outro às 22 horas, toque de recolher para menores de 16 anos. Me senti em outro planeta.




Bem, parece um outro planeta.



Onde o branco reflete tanta luz que chega a cegar e confundir o que é gelo e o que é céu.



Longos dias de espera para navegar novamente.




Segue 'toda vida' em frente, irás topar com um urso polar no Pólo Norte.


Primeiro de maio, esperando carregar o avião e voltar à Yellowknife. Sim, o avião é cargueiro e passageiro e as instruções são em inglês, francês e inuktituk.
Saímos de Cambridge Bay abaixo de neve e -17 de temperatura e chegamos mega felizes em Yellowknife, 15 graus e ensolarada.



*raven: pássaro parecido com o corvo porém maior e mais resistente. O único pássaro avistado aqui no norte do Canada, sobrevive comendo nossas sobras, chafurdando as latas de lixo. São enormes e um pouco assustadores.
** pergelissolo: ou permafrost, é a camada de solo e rochas que esta permanentemente congelada, comum acima do paralelo 60. Alvo de preocupação devido às mudanças climáticas, que tem provocado seu derretimento, causando problemas estruturais em prédios, alagamentos e perturbando os hábitos dos animais da região. 

domingo, 3 de abril de 2016

Ao sul de Yellowknife - vida e sol

Ao sul de Yellowknife há muitas terras, afinal, aqui é praticamente o topo do mundo.
Quando habitamos um lugar onde as temperaturas descem abaixo de zero em outubro e somente somente voltarão a ser positivas em, digamos, maio, qualquer outro lugar 1000 km ao sul parece com os trópicos!

Semana passada tive a alegria de conhecer a capital de Columbia Britanica, Victoria e passar uns dias em Vancouver. Estas duas cidades são conhecidas pelas temperaturas mais amenas e quase ausência de neve, algo raro no Canada.


O paraíso dos transportes coletivos, ferry para Victoria, 1h45 minutos de tranquilo navegar, céu e mar perfeitos.



Ao fundo, Estados Unidos, alguma cidade do estado de Washington.


Gulf Islands.


Victoria fica situada em Vancouver Island, a sua volta um arquipélago habitado e servido por ferries.


O tráfego é bem intenso :-)


Ferries, veleiros.


Victoria harbour, muita história.


Parece um museu ou melhor uma coleção de barcos: iates, escunas, veleiros, e o táxi aquático.


Fisherman's wharf com a vila de casas barco, canais, caiaques...


E focas sortudas!


E o Humphrey!



Beacon Hill Park, uma imensa área verde onde deixaram a natureza seguir seu curso em algumas zonas, não há paisagismo mais lindo que aquele feito pela natureza.


Imensas árvores.


E ao final esta praia de cascalhos e troncos...


e paisagens fantásticas...


cheiro de mar, barulho de cascalhos...


 e um cachorro caçador de troncos.


Um pôr do sol espetacular.


Trilhas ao longo da costa.


Difícil sair daqui. Victoria tem um charme europeu, casas antigas bem conservadas, jardins e mais jardins.


Em frente a Assembléia Legislativa.


Imensas tulipas.


Butchard Gardens, um jardim construído sob uma antiga pedreira e ao lado de uma fábrica de cimento. Não sou muito a favor destes jardins planejados, mas o fato de ser "plantado" sobre uma antiga pedreira (normalmente um local totalmente cinza e árido), me fez curtir o colorido e os perfumes.


Perfeito retrato da primavera.


Narcisos brancos,


Narcisos azuis ou lilazes?


E amarelos com seu inebriante perfume.




O fundo da pedreira, criaram um chafariz de águas dançantes.


Um pinheiro primo de nossas araucárias.


O caminho termina em duas sequóias vermelhas, imensas.


Páscoa dando as caras...



Encontre o Buda.


No ferry de volta a Vancouver, a paisagem das montanhas lembra que ainda é inverno em algum lugar.


Stanley Park.


Primavera fazendo tudo brotar.


As rockies lá no fundo.


Lions Gate Bridge, uma mini Golden Gate.


Cerejeiras florindo.


Vancouver, como não amar?